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Artesanato Cuiabano
O artesanato pode ser dividido em diversos segmentos, como cultura popular que, quase sempre, tendo sua origem na necessidade utilitária do dia-a-dia, progride para artística, sendo muito admirada, principalmente devido à exclusividade das peças, por serem feitas uma a uma e não em série, como no processo industrial.

TECELAGEM

A tecelagem é, talvez, dentro do artesanato, a que detém maior representatividade no que tange à divulgação da arte, da cultura e da tradição do povo cuiabano e mato-grossense, principalmente pela sua beleza artística.
No segmento da Tecelagem, destacam-se as "Redeiras" que, antigamente, fiavam e tingiam o fio com o qual teciam as redes contendo motivos lavrados em sua extensão. Levavam 30 dias ou mais no feitio de cada rede, o que encarecia o produto e dificultava a atividade quanto profissão.
A habilidade com que as redeiras tecem sua rede é a mesma das mulheres indígenas, de onde se origina esta tradição.
Antigamente a rede era conhecida como “ini” ou “hamaca”. O nome rede foi usado pela primeira vez por Pero Vaz de Caminha em abril de 1500.
As redes tiveram participação marcante no cotidiano das pessoas. Na época colonial foi até representação de poder: o tamanho das varandas (guarnições laterais da rede) figurava como honraria; uma alta distinção, anúncio de poderio, era ver-se alguém em rede branca com as varandas quase arrastando no solo.
Encontramos ainda algumas tecedeiras na região de Cuiabá e Várzea Grande, entre outros municípios.

O PILÃO

O Pilão pode ser considerado como artesanato utilitário, apesar de algumas pessoas utilizarem-no como peça decorativa. Sua matéria prima é a madeira de cumbaru ou piúva e tem como função pilar, por exemplo, arroz para fazer bolo de arroz, milho para fazer pamonha, a carne para fazer paçoca.

CERÂMICA

Artesãos e artesãs trabalham com cerâmica, que se apresenta em diferentes tipos como: utilitária simples, utilitária figurativa e a decorativa. A utilitária simples é destinada ao uso doméstico; a figurativa também é funcional, mas apresenta formas mais elaboradas; a decorativa, como o próprio nome diz, tem como função decorar, enfeitar. Existem características próprias de desenho, formato, adereços e enfeites, que diferenciam a cerâmica mato-grossense da de outros Estados.
Há grupos que se profissionalizaram na arte da modelagem do barro, como o núcleo do São Gonçalo Beira-Rio (em Cuiabá), artesãos de Poconé, Rondonópolis, Rosário Oeste, Várzea Grande, etc., onde são modelados: potes, panelas, vasos, moringas, jarros, talhas, fruteiras, bois, cavalos, pintinhos, santos, etc., que são queimados à lenha em forno ou fornalha.

A VIOLA DE COCHO

A Viola de Cocho, principal instrumento utilizado nas toadas de cururu e siriri, é confeccionada pelos próprios cururueiros. Eles têm a sabedoria acerca das melhores madeiras (dentre as quais: sarã, mangueira, figueira), o período em que devem ser cortadas, quais as ferramentas a serem utilizadas (machado, facão, enxó, plaina, faca, marreta, lixa), colas adequadas (de posta de peixe, de batata, de sumbaré) e as cordas que darão o melhor som (tripa de macaco, bugio ou ouriço).
Sobre a origem da Viola de Cocho, a Associação Folclórica de Mato Grosso, através de depoimentos conseguiu resgatar a seguinte lenda:
“Há mais de duzentos anos atrás, Cuiabá era uma vila muito pequena, e lá pelas bandas do São Gonçalo, à beira do rio Cuiabá, morava um artesão, fazedor de canoas, colheres de pau e cochos (recipiente usado para alimentar animais). Acredita-se que o artesão morava às margens do rio pela facilidade de encontrar sua matéria-prima, que era madeira macia como: sarã-de-leite, sarã d’água, raiz tabular de figueira, facilmente encontradas nas barrancas dos rios.
No porto da casa do artesão, certo dia atracou um barco em que viajava um senhor, presumidamente um paraguaio, trazendo um instrumento de cordas, provavelmente um violão. Aproveitando a estadia do visitante, o artesão foi logo aprendendo algumas posições musicais. Mas o cidadão paraguaio, músico de profissão, depois de algum tempo resolveu partir, levando consigo o instrumento.
O artesão, por sua vez, tinha apreciado muito tocar aquele instrumento. Não se contendo, usou da memória e, pegando a madeira que empregava na confecção de seus utensílios, talhou o mais parecido que sua mente guardara de forma do violão. Adaptou com criatividade as cordas, confeccionando-as com imbira de tucum (planta da região ribeirinha).
Depois de pronta, o artesão dirigiu-se à vila, levando consigo a viola que fabricara. As pessoas, curiosas, perguntaram nome do instrumento. Como o mesmo, sem o tempo, tivesse forma de um cocho, respondeu: - “Viola de Cocho!”.
 
 
 
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